Curiosidades do Vinho e Da Vinha

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Qual A região Vitivinicula Mais Antiga do Mundo

Mensagem  Fernando Moreira em Seg Mar 03, 2008 5:44 am

A Região vitivinicula mais antiga do mundo é a região do Douro.
A região do Douro, visto do alto de um miradouro ou dos píncaros de um monte, desperta sensações e provoca emoções que, ao longo dos tempos, poetas, escritores e artistas tentaram, em vão, imortalizar em palavras ou traços de pincel colorido.
Fértil em assimetrias e contrastes, o Vale do Douro é uma aventura de três séculos de trabalho e paixão pela terra. Numa epopeia sem precedentes, populações inteiras, transformaram solos áridos e rochosos em fileiras de socalcos e vinha para que nascesse o célebre Vinho do Porto.
Toda a região é um convite à descoberta. De carro segundo o fluxo da água ou atravessando vilas e aldeias, de combóio serpenteando junto à margem; a bordo de um cruzeiro, respirando odores fluviais ou simplesmente de balão, apreciando os contornos mágicos da paisagem. Percorrer o Douro é apreciar os seus conventos e igrejas, conhecer o seu artesanato rústico, saborear a sua genuína gastronomia, inflamar o espírito com o folclore das seculares romarias e retemperar, por fim, energias em milagrosas termas ou em repousantes hóteis, pousadas ou unidades rurais de alojamento.
Douro é Património Mundial da Humanidade

Depois do trabalho do rio, que cavou fundo o seu leito, o homem adaptou as encostas
íngremes à cultura da vinha, construindo assim uma das mais antigas regiões vitícolas do mundo, demarcada e regulamentada em 1765 pelo Marquês de Pombal. A Região Demarcada do Douro, onde se produz um vinho universalmente conhecido sob a designação Porto, está novamente “nas bocas do mundo. A razão: o Alto Douro Vinhateiro vai ser classificado pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade.
O coordenador do projecto de candidatura, Fernando Bianchi de Aguiar, considera que o Alto Douro é “um exemplo de paisagem que ilustra diferentes etapas da história humana e representa uma paisagem cultural evolutiva viva”. O que justifica o facto desta região vir agora integrar um grupo restrito de locais que detêm o epíteto de Paisagem Cultural, uma designação criada em 1992 pela UNESCO para as paisagens que combinam o trabalho humano com os valores culturais, constituindo assim um valor universal reconhecido.
Dos 690 bens existentes em todo o mundo classificados como Património Mundial da UNESCO, apenas dez são portugueses e destes só a vila de Sintra possui o título de Paisagem Cultural.
Diversidade na unidade
A Região Demarcada do Douro, onde se produzem os vinhos correspondentes às denominações de origem “Porto” e “Douro”, abrange 250 mil hectares, dos quais 48 mil são ocupados por vinha, e dela fazem parte 22 municípios. No entanto, apenas 24 mil hectares, ou seja, um décimo dessa área, que engloba treze concelhos, vai ser classificado pela UNESCO como Património Mundial. Contudo, a zona classificada é representativa da diversidade do Douro, uma vez que inclui espaço do Baixo Corgo, do Cima Corgo e do Douro Superior.
O território do Alto Douro Vinhateiro, área a classificar, integra o vale do rio Douro, que já é considerado Património Mundial nos seus extremos, nomeadamente o Porto, e no lado oposto o Parque Arqueológico do Côa. Os treze concelhos que fazem parte da zona distinguida pela UNESCO são Alijó, Armamar, Carrazeda de Ansiães, Lamego, Mesão Frio, Peso da Régua, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, São João da Pesqueira, Tabuaço, Torre de Moncorvo, Vila Nova de Foz Côa e Vila Real, estendendo-se ao longo das encostas do rio Douro e dos seus afluentes, Varosa, Corgo, Távora, Torto e Pinhão.
A restante área da Região Demarcada do Douro ficará classificada como “zona tampão”, onde estarão integradas as denominadas aldeias vinhateiras, um projecto da responsabilidade do Ministério do Planeamento que tem como objectivo a requalificação urbana do Douro, de forma a atenuar os riscos que esta candidatura assumiu ao incluir no mapa 60 aglomerados urbanos, muitos dos quais não se enquadram na paisagem característica da região. Dos cerca de 600 aglomerados rurais que existem no Douro, foram incluídos no projecto Favaios (Alijó), Provezende (Sabrosa), Barcos (Tabuaço), Salzedas e Ucanha (Tarouca).
A elaboração da candidatura do Alto Douro a Património Mundial teve um custo de 58 mil contos, dos quais 43,6 mil, ou seja, 75 por cento, foram financiados pelo terceiro Quadro Comunitário de Apoio. Os restantes 25 por cento ficaram a cargo da Fundação Rei Afonso Henriques, a entidade que em 1998 ressuscitou a candidatura.
Mudanças na região
A classificação do Douro como Património Mundial vai implicar uma série de alterações na região duriense, já que o projecto da candidatura define um conjunto de medidas de ordenamento e gestão do território e de qualificação e valorização ambiental.
Para Bianchi de Aguiar, esta é uma região “de contrastes entre a riqueza das vinhas e o subdesenvolvimento, entre a beleza da paisagem e a falta de regras urbanísticas”. O coordenador da candidatura acrescenta ainda que “quem visita o Douro depara-se a cada passo com autênticas lixeiras à beira das estradas e mamarachos que estão completamente desenquadrados em relação à paisagem”.
Como exemplo, Bianchi de Aguiar destaca a antiga fábrica Milnorte, localizada junto à Barragem de Bagaúste que, afirmou, “deverá ser objecto de uma implosão”. Mas as más construções não ficam por aqui, e segundo este responsável também a escola EB 2,3 do Pinhão deverá ser objecto de requalificação, pois está “completamente desenquadrada em relação ao resto da paisagem que a envolve”.
Para colmatar estas deficiências, serão promovidas obras de recuperação e valorização do património.
Gerir e salvaguardar o património
Bianchi de Aguiar adianta que a UNESCO exige a criação de organismos que assegurem a salvaguarda, gestão e valorização da paisagem cultural. Nesse contexto, foi elaborado o Plano Intermunicipal de Ordenamento do Território (PIOT), um instrumento de gestão territorial que prevê uma série de orientações estratégicas para os treze concelhos incluídos na zona a classificar. Para garantir os meios financeiros e técnicos necessários à concretização das acções previstas, o documento propõe a formalizaçãode um pacto de desenvolvimento entre as treze câmaras e os ministérios do Planeamento, do Ambiente, da Agricultura, da Economia e da Cultura.
O PIOT, que vai agora entrar na fase de discussão pública, prevê a criação de duas estruturas de apoio à gestão e salvaguarda da paisagem: o Gabinete Técnico Intermunicipal do Alto Douro Vinhateiro, com funções de ordenamento e gestão do território, ao qual se torna obrigatório pedir parecer para futuras intervenções nesta região; e a Associação Promotora do Alto Douro Vinhateiro, com funções consultivas, que agregará diversas entidades na recuperação de bens e na preservação, valorização e promoção da paisagem vitícola classificada.
O plano de gestão do Alto Douro Vinhateiro inclui ainda um programa intermunicipal de requalificação ambiental de áreas degradadas, em especial de zonas de deposição de lixos e entulho e de escombreiras, que neste momento constituem uma das maiores “nódoas negras” da paisagem.
Bianchi de Aguiar referiu ainda que serão criadas zonas específicas para a recepção de entulho oriundo da construção civil, ao mesmo tempo que se pretende desenvolver acções de sensibilização junto das escolas, das populações e dos empreiteiros para as questões da preservação da paisagem.
Promover a requalificação e a valorização das áreas agrícolas e apoiar a mitigação dos impactes negativos causados por adegas e outras construções industriais e agro-industriais não inseridas na paisagem são outros objectivos propostos no projecto de candidatura.
Segundo Bianchi de Aguiar, em 2003 terá de ser apresentado à UNESCO um relatório da situação do Alto Douro Vinhateiro, para averiguar se as condições impostas para a classificação foram cumpridas. E “se a paisagem cultural evolutiva viva do Alto Douro Vinhateiro não for bem gerida nem valorizada, a classificação de Património Mundial poderá ser retirada”, concluiu.
Produto do homem e da natureza
É da reunião das qualidades do solo, das características propícias do clima e do trabalho árduo do homem que se produz um bem único: o vinho do Porto. E é em Setembro, no momento da vindima, que o processo tem início, quando as uvas são transportadas pelos homens até aos modernos centros de vinificação ou até aos antigos lagares onde, através dos frutos da terra e do trabalho do homem, se faz o vinho.
Actualmente, o processo produtivo concilia as técnicas mais sofisticadas com séculos de rigorosa tradição. Apesar da maior parte dos vinhos serem obtidos em centros de vinificação que possuem um equipamento de tecnologia avançada, em que a pisa e a maceração são totalmente mecanizados, ainda se podem encontrar locais onde a vinificação é realizada segundo a técnica ancestral, em que o trabalho é feito exclusivamente através da pisa nos lagares.
O resultado final não é um Porto, mas vários Portos, com cores que vão do branco ao retinto e sabores muito variados, como por exemplo vinhos Vintage, Late Bottled Vintage, Colheita, com indicação de idade, Tawny e Ruby.
Ordem para exportar
Trezentos anos depois do Marquês de Pombal decretar a demarcação da primeira zona de produção de vinho do mundo, o Alto Douro continua a ser a região vitícola do país cuja exportação gera mais receitas.
Em 2000, o vinho do Porto representou 19 por cento das exportações agrícolas, atingindo valores na ordem dos 80 milhões de contos. Segundo dados do Instituto do Vinho do Porto (IVP), nesse mesmo ano foram exportados quase mil hectolitros de vinho, sendo a França o principal destino do néctar português, já que absorveu 30 por cento do total das vendas. Entre Janeiro e Outubro de 2001, Portugal exportou 741 mil hectolitros de Vinho do Porto, um negócio que envolveu 64 milhões de contos.
A França, seguida da Bélgica, Holanda, Reino Unido, Alemanha, Dinamarca e Estados Unidos da América, são os países que mais consumem o vinho produzido nas encostas durienses. Na última década as exportações de vinho do Porto subiram 18 por cento.
Ricos mas pobres
O sociólogo António Barreto, no seu livro “Douro”, classificou a região e a sua viticultura como “um dos mais importantes pólos de modernização da economia e da administração pública”. Mas hoje, esta região, que já foi a mais moderna zona agrícola do país, está envelhecida e isolada.
A desertificação das freguesias ribeirinhas do Douro e o consequente envelhecimento da população são problemas graves que caracterizam a realidade da região. Só nas últimas duas décadas, os 13 concelhos que integram o Alto Douro Vinhateiro, agora classificado, perderam quinze por cento dos seus habitantes, ficando reduzidos a pouco mais de 180 mil pessoas. Apesar de todos os esforços, tem sido difícil travar a deslocação das pessoas para o estrangeiro ou para o litoral. E para combater a falta de mão-de-obra, muitos proprietários rurais recorreram ao trabalho de imigrantes. Trezentos anos depois de os espanhóis terem ajudado a erguer os socalcos do Douro, são os ucranianos e moldavos que ajudam a extrair das entranhas da região o precioso néctar.
Embora no Douro se produza um bem que é a principal exportação do sector primário - o vinho do Porto e os vinhos de mesa Douro -, esta é também uma das regiões menos desenvolvidas do país. Mais de 90 por cento dos trabalhadores da região duriense são pequenos agricultores, que vivem apenas da vinha e do vinho.
Na zona vinhateira, onde se encontram alguns dos concelhos mais pobres e atrasados de toda a União Europeia, nomeadamente Cinfães, Resende, Armamar, Sabrosa, Tabuaço e Carrazeda de Ansiães, o poder de compra dos habitantes é de 40 por cento da média nacional.
Turismo de qualidade: fonte de receitas
Numa região onde o vinho domina as actividades económicas, tem-se verificado ao longo dos últimos anos um crescimento de algumas actividades paralelas e complementares à viticultura, como o turismo e o enoturismo.
Sónia Cabral, responsável pelo Gabinete Técnico da Associação Comercial e Industrial da Régua, Mesão Frio e Santa Marta de Penaguião (ACIR), destaca o “ritmo acelerado de crescimento que se tem registado a nível turístico na região duriense”. E na sua opinião “a atracção turística pode ser impulsionada pela aprovação da candidatura do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO”. Paralelamente, “a maior divulgação da região pode ainda ter como consequência o desenvolvimento de actividades paralelas, como o comércio local”, conclui.
Logo a seguir à produção de vinho, o turismo é uma das principais fontes de riqueza desta região. Anualmente são aos milhares as pessoas que visitam o Alto Douro Vinhateiro.
A tragédia da ponte de Entre-os-rios, a 4 de Março deste ano, teve um impacte negativo no sector, principalmente no turismo fluvial, que no primeiro semestre de 2001, em comparação com igual período do ano passado, teve um decréscimo de 43,3 por cento, uma redução justificada pelos operadores do sector com o “medo sentido pelos turistas, devido à falta de segurança que sentiam em navegar no Douro”.
Na região a aposta é no turismo de qualidade, mais direccionado para a classe média-alta, e por isso mesmo, ao longo dos últimos anos, muitas foram as quintas que se transformaram em empresas turísticas.
Construída à beira-rio, no Pinhão, uma antiga propriedade da empresa Taylor’s Fonseca foi convertida em 1998 no hotel de quatro estrelas “Vintage House”, que associa a decoração inglesa à tradição arquitectónica portuguesa e ao néctar produzido nas encostas do Douro.
O director da Vintage House, Manuel Marques, disse ao Semanário TRANSMONTANO que se pretende “desenvolver cada vez mais um padrão de qualidade turística, numa zona que pode ganhar mais notoriedade com a classificação de património mundial e onde se poderá apostar num nicho de mercado como o enoturismo”. A Academia do Vinho, que junta uma loja de vinhos, um curso e provas daquele néctar, é uma das principais atracções do hotel.
Para Manuel Marques, a classificação como património da humanidade é “estrategicamente importante”, porque “vai transformar o Douro num mercado de qualidade, acautelar atentados ao ambiente e impedir um desenvolvimento pouco sustentado da região”.
“Durante muito tempo toda a riqueza produzida no Douro era exportada, por isso espero que a partir de agora se desenvolvam estruturas na região que contribuam para o seu desenvolvimento e ajudem a fixar a população” sublinhou.
Tradição e modernidade
Por norma, o turista que visita o Douro tem entre os 35 e os 65 anos e possui a carteira recheada. A grande maioria é constituída por portugueses. Mas as encostas durienses e o vale escarpado do rio atraem ainda muitos turistas provenientes de Espanha, Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos da América.
No entanto, grande parte prefere passar apenas um dia na região, e são poucos os que decidem passar aqui mais alguns dias. Segundo Jorge Osório, presidente da Região de Turismo do Douro Sul, sediada em Lamego, o objectivo é convencer os turistas a permanecer durante três ou cinco dias, “uma forma de os levar a investir mais na região”.
Para além da rota do vinho, a região tem ainda muitos outros factores de atracção turística. As festas populares que em Julho atraem à Régua cerca de 40 mil pessoas para o lançamento do fogo-de-artifício do meio do rio Douro continuam a encantar os visitantes. Mas os turistas podem ainda optar por formas mais modernas de divertimento, como os desportos náuticos ou o festival de música electrónica “Dance In Douro”, que há quatro anos se realiza na cidade, nas margens do rio.
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região vinhateira alto douro

Mensagem  Vcosta em Qui Mar 06, 2008 12:29 pm

A Região Vinhateira do Alto Douro ou Alto Douro Vinhateiro é uma área do nordeste de Portugal com mais de 26 mil hectares, classificada pela UNESCO, em 14 de Dezembro de 2001, como Património da Humanidade, na categoria de paisagem cultural.

Esta região, que é banhada pelo Rio Douro e faz parte do chamado Douro Vinhateiro, produz vinho há mais de 2000 anos, entre os quais, o mundialmente célebre vinho do Porto.

A longa tradição de viticultura produziu uma paisagem cultural de beleza excepcional que reflecte a sua evolução tecnológica, social e económica.

O vinho do Porto é um vinho natural e fortificado, produzido exclusivamente a partir de uvas provenientes da região demarcada do Douro, no norte de Portugal a cerca de 100 km a leste do Porto. Régua e Pinhão são os principais centros de produção, mas algumas das melhores vinhas ficam na zona mais a leste.

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Rectificação de conteúdo

Mensagem  Fernando Moreira em Sab Mar 08, 2008 5:30 am

Vcosta escreveu:A Região Vinhateira do Alto Douro ou Alto Douro Vinhateiro é uma área do nordeste de Portugal com mais de 26 mil hectares, classificada pela UNESCO, em 14 de Dezembro de 2001, como Património da Humanidade, na categoria de paisagem cultural.

Esta região, que é banhada pelo Rio Douro e faz parte do chamado Douro Vinhateiro, produz vinho há mais de 2000 anos, entre os quais, o mundialmente célebre vinho do Porto.

A longa tradição de viticultura produziu uma paisagem cultural de beleza excepcional que reflecte a sua evolução tecnológica, social e económica.

O vinho do Porto é um vinho natural e fortificado, produzido exclusivamente a partir de uvas provenientes da região demarcada do Douro, no norte de Portugal a cerca de 100 km a leste do Porto. Régua e Pinhão são os principais centros de produção, mas algumas das melhores vinhas ficam na zona mais a leste.

Caro Amigo consta no seu "post" alguns erros de história e geografia também,Não há vestigios que comprovem que o vinho do Porto tenha sido produzido desde essa data mas sim apartir do século XVII por mercantes ingleses.

As evidências arqueológicas sugerem que a mais antiga produção de vinho teve lugar em vários locais da Geórgia e Irão, entre 6 000 e 5 000 a.C.
As evidências arqueológicas tornam-se mais claras, e apontam para a domesticação da videira, em sítios do Oriente Próximo, Suméria e Egipto, no início da Idade do Bronze, desde aproximadamente 3 000 a.C..
As mais antigas evidências sugerindo a produção de vinho na Europa, e entre as mais antigas do mundo, são originárias de sítios arqueológicos na Grécia, datados de 6 500 a.C.. De facto, várias fontes gregas, bem como Plínio o Velho, descrevem como os antigos gregos utilizavam gesso parcialmente desidratado antes da fermentação e um tipo de cal após aquela com o propósito de diminuir a acidez. O escritor grego Teofrasto é a mais antiga fonte conhecida a descrever esta prática de vinificação entre os antigos gregos.

No Antigo Egipto o vinho tornou-se parte da história registada, desempenhando um papel importante na vida cerimonial. O vinho terá sido introduzido no Egipto pelos gregos. São também conhecidos vestígios de vinho na China, datados do segundo e primeiro milénios a.C..

O vinho era comum na Grécia e Roma clássicas. Os antigos gregos introduziram o cultivo de videiras, como a Vitis vinifera, nas suas numerosas colónias na Itália, Sicília,França meridional, e Península Ibérica.Dioniso era o deus grego e da diversão, e o vinho era frequentemente mencionado nos escritos de Homero e Esopo. Muitas das principais regiões vinhateiras da Europa Ocidental actual foram estabelecidas pelos romanos. A tecnologia de fabrico do vinho melhorou consideravelmente durante o tempo do Império Romano. Eram já então conhecidas muitas variedades de uvas e de técnicas de cultivo, e foram criados os barris para a armazenagem e transporte do vinho.

Desde o tempo dos romanos, pensava-se que o vinho (eventualmente misturado com ervas e minerais) tivesse também propriedades medicinais. Nesses tempos, não era invulgar dissolverem-se pérolas no vinho para conseguir mais saúde. Cleópatra criou a sua própria lenda ao prometer a Marco António que ela beberia o valor de uma província numa taça de vinho, após o que bebeu uma valiosa pérola com uma taça de vinho.

Durante a Idade Média, a Igreja Cristã era uma firme apoiante do vinho, o qual era necessário para a celebração da missa católica. Em locais como a Alemanha, a cerveja foi banida e considerada pagã e bárbara, enquanto que o consumo de vinho era visto como civilizado e como sinal de conversão. O vinho era proibido pelo Islão, mas após os primeiros avanços de Geber e outros químicos muçulmanos sobre a destilação do vinho, este passou a ter outros usos, incluindo cosméticos e medicinais. De facto, o cientista e filósofo persa do século X Al-Biruni, descreveu várias receitas em que o vinho era misturado com ervas, minerais e até mesmo gemas, com fins medicinais. O vinho era tão venerado e o seu efeito tão temido, que foram elaboradas teorias sobre qual seria a melhor gema para fabricar taças para contrariar os seus efeitos secundários considerados indesejáveis.

Nota:Não pertendo fazer disto um cavalo de batalha mas sim tentar que sejam o mais correctos possiveis os meus posts por isso tendo a me estender um pouco mais sobre a materia. Pois falar de vinhos é uma materia muito complexa que exije muita dedicação e estudo,Coisa que ainda hoje o faço diariamente no meu trabalho.Tendo isto em conta espero que contribua de alguma forma para um melhor intendimento destes produtos.
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Re: Curiosidades do Vinho e Da Vinha

Mensagem  Vcosta em Sab Mar 08, 2008 8:31 am

oops......
Os vinhos são
como os homens,
com o tempo,
os maus azedam
e os bons apuram

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Garrafas de Vinho Que Falam

Mensagem  Fernando Moreira em Seg Mar 10, 2008 3:10 am

A forma das garrafas de vinho pode comunicar muito sobre o sabor do vinho no seu interior. Na Europa, muitas regiões vitivinícolas desenvolveram garrafas vinho que tornaram-se na tradicional garrafa de vinho dessa região, com isso tornou-se facil reconhecer e comunicar com seus consumidores/apreciadores.

"Garrafa de Bourdeaux


A garrafa de ombros altos ou " Garrafa de Bordeaux" é utilizado pela maioria das adegas para o engarrafamento de Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec no caso dos tintos e “Meritage” ou loteamentos em Bordeaux. Isto acontece porque estas são as principais castas que são autorizadas para utilização nos vinhos tintos da região Bordeaux.
O Bordeaux garrafa também é geralmente utilizado para Sauvignon Blanc e Semillon.
Estas são as principais castas permitidas na produção de vinhos brancos, em Bordeaux.


Garrafa de Borgonha

Garrafa de ombros caídos ou”Garrafa Borgonha”é geralmente usado para Chardonnay e Pinot Noir por todo o mundo. Estas são as duas principais castas utilizadas na região de Borgonha em França para vinhos brancos e vinhos tintos respectivamente.
Esta forma de garrafa é também utilizada por muitos no Vale do Loire em França.


Garrafa "Hoch"(estilo Germânico)

A garrafa esguia "Hoch" é utilizada na Alemanha (cor verde em Mosele e Castanha no Reno), e também na Alsácia(nordeste da França).
Ela é usada por em muitas vinícolas em muitas partes do mundo engarrafando várias castas incluindo Riesling, Gewurztraminer e Muller-Thurgau.

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Última edição por ogajodainglaterra em Ter Mar 11, 2008 4:03 am, editado 2 vez(es)

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Re: Curiosidades do Vinho e Da Vinha

Mensagem  Fernando Moreira em Seg Mar 10, 2008 2:17 pm

Vcosta escreveu:oops......
Os vinhos são
como os homens,
com o tempo,
os maus azedam
e os bons apuram

HEHEHEH gostei desta frase....Muito bem muito bem

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Tratamentos Fitossanitários

Mensagem  Fernando Moreira em Ter Mar 22, 2011 1:15 am

Tratamentos Fitossanitários

Os tratamentos fitossanitários devem garantir as videiras sãs até à queda natural das folhas. Estes consistem numa luta incessante contra os acidentes e os inimigos da vinha, cujos danos são por vezes tão importantes que afectam não só a produção, que pode ser alterada ou destruída, como também a perenidade da planta. Assim podemos falar de:

a) Acidentes e doenças não parasitárias

São acidentes de ordem climática, como geadas, queima, granizo, vento. As doenças fisiológicas são sobretudo provocadas por carências das plantas em minerais como o ferro e o cobre, e temos ainda a considerar o desavinho. Os tratamentos passam pela aplicação de sulfato de ferro e de cobre quer no solo, quer nas folhas das videiras.


b) Doenças causadas por vírus

As viroses são doenças infecciosas que por vezes passam despercebidas, pois nem sempre manifestam sintomas fáceis de identificar. Os vírus vivem nas células (daí que sejam parasitas) das plantas contaminadas, provocando perturbações que levam a uma alteração das aptidões da planta: diminuição da quantidade de produção e também da sua qualidade, enfraquecimento e envelhecimento prematuro das vinhas, entre outros. Os vírus mais conhecidos são os vírus do nó-curto e o do enrolamento. Uma vinha criada com plantas doentes ou num solo contaminado não pode ser tratada. Os meios de luta são preventivos, isto é, é preciso plantar garfos e porta-enxertos saudáveis num solo saudável. Após o arranque de uma vinha doente, os nemátodos, vectores (transmissores) do nó-curto, ainda vivem durante alguns anos nos restos de raízes deixados no terreno, podendo contaminar a nova vinha. Assim, deve deixar-se o solo em repouso pelo menos cinco anos depois do arranque, precedido de uma surriba e da eliminação o mais completa possível das raízes ou então, deve proceder-se à desinfecção do solo com a ajuda de nematicidas (produtos químicos que provocam a morte aos nemátodos).


c) Doenças criptogâmicas

Míldio: O míldio da vinha é uma doença originária da América, provocada pelo fungo Plasmopara viticola e observada pela primeira vez em França por Planchon, em 1878. O sintoma mais típico ocorre nas folhas, com o aparecimento da conhecida "mancha de óleo", na página superior. A seguir, surge na página inferior das folhas, uma pubescência branca, na zona correspondente a essas manchas. O ataque dos cachos traduz-se pela deformação dos mesmos, podendo até secar completamente, aparecendo então a típica pubescência branca. Para além das qualidades exigidas a qualquer substância de tratamento (eficácia, facilidade de manuseamento, baixo preço de custo), os produtos antimíldio devem ser persistentes, portanto, quimicamente estáveis. Os produtos que se utilizam desde há muito tempo são constituídos à base de cobre. A calda bordalesa é constituída por uma solução de sulfato de cobre neutralizada por cal apagada fresca. Depois da Segunda Guerra Mundial surgiram produtos orgânicos de síntese que permitem simplificar a preparação e a execução dos tratamentos. Dentro destes destacam-se os organos-cúpricos, que consistem em produtos orgânicos de síntese combinados com o cobre e que apresentam maior persistência de acção.

Oídio: O oídio da videira (também conhecido por poeira, cinzeiro ou mal branco) apareceu em França em 1845 e deve-se a um fungo, o Uncinula necator, que se desenvolve em todos os órgãos verdes. As folhas mais jovens aparecem com um aspecto esbranquiçado que pode também aparecer nos ramos. Nos bagos em desenvolvimento aparece a tal pubescência, a pele fendilha e acaba por estalar. O enxofre foi o primeiro produto utilizado na luta contra o oídio e, actualmente, continua a aplicar-se como o mais eficaz e o mais económico. Hoje em dia, dado o enxofre ser sobretudo um produto preventivo, existem vários produtos orgânicos que possuem um poder curativo.

Podridão cinzenta: A podridão cinzenta é uma doença criptogâmica provocada pelo fungo Botrytis cinerea. Este fungo é responsável pela podridão cinzenta que é a forma mais grave e que afecta os bagos de uva, durante o período húmido, entre o vingamento e a maturidade; mas também pela podridão nobre, que se manifesta em período de sobre-maturação, em determinadas condições climáticas e que é procurada para a elaboração de vinhos licorosos especiais. Os métodos de luta baseiam-se sobretudo em produtos químicos ou fungicidas que actuam como métodos curativos.


d) Doenças bacterianas

Necrose bacteriana: Ou doença de Oléron, da videira. Esta doença foi descrita em 1895 por Ravaz, baseando-se em observações feitas na ilha de Oléron, que deu o nome à doença. A doença desenvolve-se em núcleos e só se manifesta em determinadas circunstâncias relacionadas com o clima, o solo, a sensibilidade das castas e com as técnicas culturais. Prefere solos pobres, pouco férteis e ácidos. Os métodos de luta são principalmente preventivos, de modo a evitarem a criação de núcleos, e são constituídos à base de cobre.


e) Parasitas animais e Pragas Filoxera


Lagarta ou Traça dos Cachos: Tratam-se de lagartas ou larvas de duas pequenas borboletas: Cochylis (Clysia ambiguella) e Eudémis (Lobesia botrana), sendo esta última a mais representativa no nosso país. Na Primavera as lagartas perfuram e devoram os botões florais, que envolvem previamente com filamentos sedosos, formando uma espécie de "ninhos" nos cachos. Mais tarde atacam os jovens bagos que se dessecam e apodrecem. Quando os bagos estão já desenvolvidos e no início da maturação, o insecto perfura-os. Os ataques de traça são uma das causas mais frequentes da infecção e desenvolvimento da podridão cinzenta. Estas espécies têm normalmente 3 gerações por ano e preferem temperaturas entre 20ºC e 25ºC e alguma humidade.

Cicadela ou Cigarrinha Verde: Pequeno insecto sugador, Empoasca flavescens, pertencente à família dos cicadelídeos. Pica as nervuras das folhas até aos vasos condutores, nos quais se alimenta. A saliva tóxica do insecto provoca a obstrução dos canais e, consequentemente, a interrupção da circulação da seiva. Nas castas brancas as folhas ficam com manchas amareladas enquanto que nas tintas, estas tomam a coloração vinosa. As folhas atacadas secam e caiem, conduzindo a quebras quer na produção quer no grau alcoólico. Sobretudo importante no Alentejo e, mais recentemente, no Douro, Oeste e Ribatejo, esta espécie pode ter 3 gerações num ano.

Cochonilhas: São pequenos insectos picadores-sugadores, que podem atacar vários órgãos da planta, originando, por vezes, estragos importantes. A espécie mais representativa é o Planococcus sp., conhecida por cochonilha-algodão, por se envolver por um enfeltrado algodonoso. As larvas das cochonilhas absorvem a seiva da planta e os órgãos atacados podem acabar por secar. A cepa enfraquece e a frutificação fica afectada. Podem ter diversas gerações por ano, dependendo das condições ambientais.
Despampa ou Esladroamento

Consiste na supressão de ramos ladrões, não produtivos e ainda rebentações duplas e triplas (varas de finas, tenras e verdes). O objectivo é o de evitar que a videira tenha um coberto vegetal demasiado denso, ou seja, um exagerado número de folhas. Pois caso a videira possua uma incomportável quantidade de folhas, a distribuição do alimento vai ser mais ampla, o que apresenta consequências negativas quer a nível de iniciação floral (nasce um menor número de flores), fertilidade (diminui), quer a nível da qualidade da colheita.
Desparra ou Desfolha

É uma prática que é susceptível de modificar a qualidade da vindima. A desfolha é correctamente utilizada nas vinhas que se vocacionam para a produção de vinhos brancos licorosos. Consiste em suprimir as folhas ao nível dos cachos durante o período de maturação. Esta prática reduz a área foliar e modifica a idade média da vegetação.

A manipulação do coberto através da desfolha tem sido utilizada para melhorar a qualidade dos frutos, evitar o desenvolvimento das doenças, facilitar a vindima e a aplicação de produtos fitossanitários. Assim, a desfolha de um número variável de folhas da base dos sarmentos tem como fim melhorar a qualidade, sendo realizada quase sempre durante a maturação dos cachos. Mas uma desfolha muito intensa ou muito precoce parece ser muito prejudicial à qualidade por reduzir a produção de açúcares do cacho ou por uma muito forte exposição dos bagos em Julho e Agosto, que poderá "queimá-los".

Fernando Moreira

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